A política cultural caminha para o corporativismo do entretenimento.
A valorização da burocracia para a provação dos projetos está sendo desenhada nos gabinetes. A qualidade da proposta é a terceira ou quarta prioridade.
Ano que vem muda a lei e junto com ela vem mais dificuldade.
O investimento na cultura é insignificante diante de uma sociedade carente. Precisamos de qualidade de idéias. Temos muita produção e pouca eficácia nas propostas. Para combater se cria tramites burocráticos complexos. Como se isto interferisse na boa idéia. Por falar em boa idéia. Outro dia passando por uma região de baixa renda no subúrbio do Rio de Janeiro, parei para reparar e conversar com o dono da pastelaria. Perguntei onde tinha um cinema. O moço respondeu: Tem não senhor. Perguntei onde tinha um teatro ou um lugar onde a juventude e as crianças dali pudessem aprender um pouco de arte. A resposta veio com um leve cinismo: Por aqui a gente usa isso não. Pensei cá comigo. Só resta a essa gente extravasar a energia interior. Nas igrejas evangélicas e nos bares.
Dei-me conta que a cultura do povo é o bar. Ali eles mostram sua arte. E a garotada vem se embriagando desde cedo. O futuro é a pinga. Salve a pinga! A tristeza é constatar que por muito tempo continuaremos fazendo “curtura”. A nossa “curtura” é igual à visão de quem decide. Curta. Assim é o olhar público diante das manifestações e necessidades dos que fazem existir a cultura brasileira.
Com um pouquinho de dinheiro teríamos um centro de artes envolvendo teatro, cinema, dança e artes plásticas. Para cada 100 mil habitantes. Promovendo espetáculos produzidos por esta gente carente de grana e rica de energia e necessidade de se expressar e crescer. Mas não dá dinheiro. Dá histórias para o corporativismo artístico fazer um samba, um livro, um filme ou uma exposição criticando esta situação. E assim a fila vai andando.
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