2 de fevereiro de 2009

Continua a jornada - Eu, a minha moto e o Brasil.

Depois de alongar, beber um bocado de água e esticar as pernas continuaremos nossa viagem. Agora é o trecho mais perigoso da estrada. A pista é esburacada e o tráfego intenso. Paraopeba fica a poucos quilômetros de Sete Lagoas e a estrada corta um trecho da cidade e seguimos em direção a Felixlândia a terra dos buracos na estrada. Nunca vi daquele jeito. A paisagem agora era para ser de cerrado, que não existe mais. As plantações tomam conta. As placas na estrada indicam que Três Marias está chegando e está na hora de mais uma parada. A grande barragem aparece a esquerda, o velho Chico represado faz surgir um belo lago, as chuvas constantes deixam as águas com uma cor barrenta, mesmo assim é um visual. Fui comer um chocolate e beber uma água gelada.
Uma corretora animada vendia chácaras nas redondezas. Por curiosidade perguntei a metragem e o preço. As chácaras são grandes de 3 a 40 hectare e a partir de 27 mil reais dependendo da localização. Quanto mais perto da cidade mais cara. Pedi a água e observa a atendente se divertindo com um senhor que tomava uma pinga além da conta.
Ela ria do desequilibrio do sujeito. Que resolvera ir embora empurrando a bicicleta porque montar e pedalar nem pensar. Foram duas tentativas e quase dois tombos. A moça ria. O sorriso virou preocupação quando viu o bêbado indo para auto-estrada, ligeirinho chamou um colega e pediu que ele fosse buscar o "cachaça" para o dia não terminar em tragédia. Conversei um pouco com ela sobre o que se vivia no meio daquele nada. Ela me disse que além de cachaça e música sertaneja tinha música sertaneja e pinga para diversão daqueles personagens durante o dia e a noite.
Segui minha jornada, pensando como é pobre o meu pais. João Pinheiro estava a pouco mais de 100 quilômetros e minha próxima parada estava programada para Paracatu, terra de Dona Beija, Sem novidades, aí já tinha a ansiedade de chegar, a parada foi curta e quase nenhuma conversa. Neste trecho a capa de chuva rasgou com o vento. A chuva castigava e encharcava a minha roupa. Passei por Cristalina, pensando que na volta pararia para levar peças de cristais para presentear alguns amigos. Luziânia é a última parada. Eu estava 100 quilômetros de Brasília, o sol começa a cair, mais chegaria antes de escurecer. O horário de verão ajuda ao dia ser mais longo. As 19:30 horas entrava em Brasília Terminava aqui a primeira viagem do projeto Eu, minha moto e Brasil.

Um comentário:

Unknown disse...

Grande Paes Leme!

Para minha surpresa, descobri que você está dividindo seus pensamentos na rede. Se não fosse esse endereço no final do e-mail que recebi não imaginaria... Como trabalho construíndo websites, sempre digo "não adianta publicar sua página da rede, tem que comunicar aos amigos, mercado, mundo etc...".
O que mais me chamou a atenção foi justamente o "pequeno passeio" de moto (que eu já dei uma volta aqui no downtown e é um sonho!) do Rio até Brasília. "Coisa de aventureiro!" alguns diriam, mas acho que é coisa de quem não tem medo de desfrutar o prazer e a liberdade de fazer o que gosta.
Continue postando cada trecho desse enorme país para eu acompanhar de perto.

Um abraço
Primo Leo